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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Há muitos erros.



Porque há muito eu erro a mão, a dose. Esqueço a receita do equilíbrio. O quanto uso das partes que brigam dentro de mim. Há muito eu me confundo, porque metade não tem medo e levanta os braços na descida da montanha-russa, olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra, segurando forte, espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. Metade prefere brincar na beira da praia, no raso, enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco, sobre o possível afogamento. Porque há muito eu erro a receita do equilíbrio. Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim, porque parte acelera na estrada no momento da curva fechada, pé direito até o fim, enquanto outra freia bruscamente ao ver a primeira placa, seta torta, avisando sobre o perigo. Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza, outra sempre calada, tolera a banalidade, engole a ignorância, convive com a mediocridade. Há muito eu erro a mão, a dose. Me confundo com o que devo usar, porque metade briga, explode, dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama, no quarto fechado, no tudo escuro. Metade berra, outra sussurra. Tenho uma parte que acredita em finais felizes, em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. Tenho uma metade que mente, trai, engana, outra que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés, outra que sobrevive sozinha, metade auto-suficiente. Mas há muito eu erro a mão, a dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco. Há dias em que uso a metade que não poderia, dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria, porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes, outras ferozes. Há partes quase indomáveis. Metades que me fazem sofrer nessa luta diária, no não deixar que uma mate a outra.

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Oih, td beem?espero q sim.
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